f01
fotografia
decifra-me ou devoro-te
realizada
variáveis
2012 — 2026

decifra-me ou devoro-te

Decifra-me ou devoro-te nasce do processo de construção de Meu Tempo é Quando, realizado em 2012. Para escrever a frase, correntes de aço foram quebradas e posteriormente soldadas em forma de letras. Antes matéria de vínculo e aprisionamento, a corrente é convertida em linguagem: é preciso rompê-la para que possa escrever.

técnica
fotografia, impressão UV sobre chapa de aço e gravação a laser seletiva
dimensões
variáveis
ano
2012 — 2026
local
—
chapa de aço coberta de marcas de queimadura e fuligem
variação 1chapa de aço
—o processo2 imagens

As fotografias não registram apenas as correntes ou as letras já formadas. Voltam-se para aquilo que o processo deixou sobre a pedra utilizada como base de soldagem. O fogo que reúne também queima, escurece, funde e altera a superfície. Permanecem halos de calor, fuligem, resíduos, fissuras e deformações — uma escrita involuntária produzida pelo próprio gesto de transformação.

ateliê: elos de corrente de aço sendo soldados a maçarico sobre uma pedra
bancada do ateliê: recipiente de vidro com salitre, placas de teste e frasco de óleo
01 — solda a maçaricoateliê
02 — bancada, salitre e resíduosateliê

A corrente escreve.
O fogo inscreve.

—a matéria6 imagens

Retomadas em 2026, essas imagens são transferidas para chapas de aço por impressão UV e gravação seletiva. Em determinadas áreas, a própria superfície metálica permanece aparente; em outras, a imagem é fisicamente marcada. A fotografia deixa, assim, de apenas representar uma cicatriz e passa ela mesma a carregar uma inscrição.

A obra desloca a ruptura da ideia de um acontecimento instantâneo. Não basta partir. Não basta quebrar. Entre aquilo que se rompe e aquilo que se recompõe existe um processo — e todo processo modifica a matéria.

chapa de aço com manchas irregulares de queimadura e resíduos rosados
chapa de aço com marcas de queimadura e uma emenda cruzando a superfície
variação 2chapa de aço
variação 3chapa de aço
chapa de aço escurecida pela fuligem, com depósitos esbranquiçados
chapa de aço com marcas de queimadura em faixas verticais
variação 4chapa de aço
variação 5chapa de aço
chapa de aço com marcas de queimadura sobre fundo claro
variação 6chapa de aço

A pedra torna-se suporte, testemunha e arquivo. O que permanece não é apenas a corrente transformada em palavra, mas a cicatriz do gesto que a transformou.

—ficha técnica2 itens
técnica
fotografia, impressão UV sobre chapa de aço e gravação a laser seletiva
dimensões
variáveis

Toda ruptura tem um processo.
Todo processo deixa uma cicatriz.
Toda cicatriz é uma forma de permanência.